
Quando penso que já havia visto de tudo neste país, me surpreendo cada vez mais.
Uma pessoa estuda, enfrenta batalhas para se formar, resolve se dedicar a uma das profissões mais relevantes para a sociedade, passa em concurso público disputadíssimo e, quando está prestes a tomar posse da sua vitória, vem o absurdo: veto por causa da obesidade.
Este absurdo ocorreu em São Paulo, de onde a revoada tucana diz ter os projetos-piloto para o Brasil.
Bom, na condição de gordinho (em breve, serei ex-gordinho..rs) posso falar com propriedade o quanto uma pessoa fora dos ''padrões'' de beleza sofre.
Mas, o que todo mundo se esquece é que ninguém é obeso por que quer. Há sempre um motivo, seja ele, aos ''olhos dos outros'', justo ou não.
No meu caso é a ansiedade. Felizmente, agradeço a Deus por ter condições de me tratar. Estou fazendo isto e vejo que minha auto-estima se modificou consideravelmente.
Acho o cúmulo um estado que se julga tão desenvolvido (em relação ao restante do Brasil) se prestar a uma atitude desta.
Pior ainda é ver que o professor, além de ser humilhado com precárias condições de trabalho e baixíssimos salários (além de ser desvalorizado pela sociedade), agora tem de ser um atleta.
A obesidade é um problema de saúde pública e, para o governo paulista, é mais fácil apontar as ''gordurinhas'' dos professores que dá-lhes condições para que possam ter qualidade de vida e tratamento adequado.
Com a miséria de salário e o ''vale-coxinha'' de R$ 4,00 / dia, o governador paulista não precisa se preocupar - as professoras obesas certamente emagrecerão.
Outra hipótese deste veto às professoras é que, estando obesas, não conseguirão correr dos alunos espancadores.
A conclusão que chego é que o Alckmin agora quer que os professores sejam iguais aos salários que ganham: magrinhos, magrinhos...
Agora a questão é: como as escolas continuarão suas campanhas anti-bulling se os próprios professores são alvo de preconceito?